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Pesquisador critica postura dos governos de culpar usuários de drogas por tráfico

Fonte: NOMEDOSITE
Original: Pesquisador critica postura dos governos de culpar usuários de drogas por tráfico

A sociedade e os governantes terão que adotar posições menos hipócritas e moralistas no enfrentamento dos problemas causados pela drogas, na avaliação do professor Antônio Albernaz, da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj).

Segundo ele, é cômodo para os governos, e principalmente para a polícia, jogar toda a culpa da violência e do tráfico de drogas sobre o consumidor. Para ele, é necessário maior rigor no cumprimento da lei e uma discussão com base mais sólida e fundamentada sobre a descriminalização de algumas drogas – como é o caso da maconha.

“O problema da descriminalização das drogas deve ser discutido sem a interposição de valores morais, mas sim de forma técnica, de modo a que possamos chegar a alguma conclusão e não da forma como está sendo feita agora. Eu não sou contra ou a favor dessa descriminalização, mas o debate em torno do assunto tem que ter fundamentação – é preciso observar outras experiências antes de se adotar qualquer tipo de atitude a respeito”, acredita.

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Sobre as chamadas festas rave, Albernaz também defendeu o cumprimento da atual legislação para se tentar minimizar o problema.

“A minha interpretação é que essas festas são as que os jovens gostam de organizar e freqüentar hoje em dia e a proibição nunca foi solução para nada. As pessoas sempre tentam inventar leis novas, diante do surgimento de problemas que não são novos. As leis já existem e a gente sabe que tem menores de 18 anos freqüentando essas festas, o que é proibido. A gente vê menor fumando e bebendo, o que é proibido. Ninguém faz nada. Não é preciso criar uma nova lei é só fazer cumprir a que já existe”.

O problema, diz ele, “é que aqui no Brasil as pessoas não são responsabilizadas pelos erros que cometem". Os organizadores [dessas festas] não se importam se pessoas traficam drogas em suas festas, em razão da impunidade. Ele lembrou que a lei também proíbe vender bebida alcoólica a quem já está visivelmente embriago "e ninguém dá a mínima".

"E é de responsabilidade do organizador [impedir] a venda de drogas em festas, por ele promovida”.

Especialista em políticas de combate às drogas entre os jovens, Albernaz contesta a máxima de que “a maconha é a porta de entrada para outras drogas ilícitas mais pesadas”. "Na verdade a tão falada porta de entrada para as drogas é o cigarro e o álcool, aliados à permissividade da própria família: como é que pode hoje um adolescente passar dois a três dias sem aparecer em casa e o pai não estranhar?", questiona.

Saiba mais lendo o original
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